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A verdade sobre a MT 030

  • há 11 minutos
  • 2 min de leitura

Uma verdadeira lenda surgiu nos discursos políticos e na própria

imprensa do estado: o mito de que a MT 030 reduziria a distância entre Cuiabá

e Chapada dos Guimarães em 30 km. Não sei de onde saiu essa informação,

mas, conforme estudos técnicos do próprio Governo do Estado, isso não é real.

A extensão do trajeto mais discutido é, na verdade, de 53,7 km, ou seja, um

pouquinho menor que a rota atual.


Conforme os Estudos Técnicos para Projeto Básico de Implantação e

Pavimentação, encomendados pela Secretaria de Infraestrutura do Estado de

Mato Grosso em 2008 e desenvolvidos pela Exímia Construções e Serviços

LTDA, três rotas foram consideradas para a MT 030. Nenhuma delas reduzia a

distância entre Cuiabá e Chapada em 30 km.


A rota mais curta, pela antiga trilha histórica Top de Fita, teria uma

extensão de 49,1 km. A mais longa e mais fácil de ser realizada, chamada de

Variante Integração, teria a extensão de 66,8 km, ou seja, maior que a distância

atual, enquanto o trajeto considerado mais viável, chamado de Variante

Bailarina, teria a extensão de 53,7 km.


Mas não foi a distância dos trajetos que fez com que a proposta da MT

030 não avançasse. Alguns trechos das várias variantes demandariam o

desenvolvimento de obras com elevado valor, como viadutos longos. Além

disso, a diferença de altitude entre Cuiabá e Chapada faz com que existam, em

curtas distâncias, declives significativos. Na Variante Bailarina, pela linha de

energia, por exemplo, em uma distância de pouco mais de 2 km, o relevo muda

de 250 m para 650 metros de altitude. Mesmo após transpor esse obstáculo,

em um percurso um pouco maior que 200 metros, o relevo sai de 650 para

cerca de 800 metros. Em ambos os casos, seria necessária a construção de

grandes obras de engenharia, com um custo elevado.


Por outro lado, entre Cuiabá e o pé da Chapada, a rota é quase plana e

sem grandes complexidades. É justamente neste trecho que foi anunciado pelo

Governo do Estado o desenvolvimento de pavimentação asfáltica de 14 km,

mas não se engane: o anúncio deste pequeno percurso não significa que a MT

030 vai se tornar uma realidade. O grande desafio e o custo elevado estão

justamente em transpor a subida.


Seria justo com a população do estado que o Governo apresentasse o

projeto completo da rodovia, inclusive indicando o custo total da obra. Caso

contrário, pode apenas criar uma falsa expectativa. Também é necessário que

as distâncias sejam apresentadas de forma verdadeira. Dizer que a rodovia vai

reduzir a distância em 30 km é brincar com a população. As informações

precisam ser reais e tratadas com a seriedade que o tema exige, pois, se não

for assim, pode virar apenas mais uma obra inacabada paga com dinheiro do

contribuinte.

Caiubi Kuhn

Caiubi Kuhn, Geólogo, Doutor cotutela em

Geociência e Meio Ambiente

(UNESP) e Environmental Sciences

(Universidade de Tubingen), Professor na UFMT, Presidente da Federação Brasileira de Geólogos (FEBRAGEO)


 
 
 

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