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Faltam trabalhadores ou falta política pública?

  • 5 de mar.
  • 2 min de leitura

Nos últimos anos, várias declarações de autoridades do estado de Mato

Grosso afirmaram que não estavam conseguindo encontrar mão de obra para

diversos setores, como a área da construção civil e os serviços urbanos. Esse

problema tem sua origem em três fatores: a falta de pessoal qualificado, a

baixa remuneração paga e a elevada demanda devido à economia aquecida.


Conforme o Censo 2022, no Brasil, quando analisado o nível de

instrução da população com 25 anos ou mais, 35,2% não tinham instrução ou

não haviam concluído o ensino fundamental; 14,0% haviam terminado o ensino

fundamental, mas não concluíram o ensino médio; 32,2% haviam concluído o

ensino médio completo ou tinham ensino superior incompleto; e 18,4% haviam

concluído o ensino superior. Embora os dados no Brasil tenham melhorado, é

fato que os números demonstram que o país ainda vive um sério problema

estrutural em relação à educação.


Conforme dados do governo do estado de Mato Grosso, disponíveis no

portal Dados MT, no terceiro trimestre de 2025, a renda média de um

empregado no estado era de R$ 3.346,00, enquanto a de um autônomo era de

R$ 3.542,00, e a renda média de um empregador era de R$ 9.034,00. Já a taxa

de desemprego era de 2,33%. Conforme dados da PNAD Contínua divulgados

em 2024, a taxa de informalidade em Mato Grosso foi de 35,3%, abaixo da

média nacional, que estava em 38,8%.


Mato Grosso, há mais de três décadas, tem apresentado um

crescimento econômico muito acima da média nacional, sendo o estado

brasileiro que mais cresceu nesse período. Os dados sociais de Mato Grosso

acompanham os dados econômicos e apresentam números melhores que os

nacionais; porém, em 2024, mesmo assim, 13,3% da população de Mato

Grosso, ou seja, cerca de 484 mil pessoas, continuavam vivendo abaixo da

linha da pobreza.


A falta de mão de obra de que tanto algumas autoridades reclamam é

um reflexo direto de uma política de qualificação inadequada e de

remunerações ruins para algumas funções.


O Estado precisa investir no desenvolvimento de cursos nas mais

diversas áreas, visando dar oportunidades à parcela da população que

necessita de apoio para se qualificar. O desenvolvimento de qualificações

alinhadas com as demandas dos setores público e privado do estado permite

melhorar a produtividade e aumentar a renda da população. Para tornar as

vagas mais atrativas, é preciso também que as remunerações oferecidas sejam

melhores.


É compreensível quando um empresário reclama da dificuldade de

encontrar funcionário qualificado, mas, quando se trata de um político, o que se


espera não é uma reclamação, mas sim o desenho de políticas públicas que

possam solucionar o problema. Nesse caso, trata-se da elaboração de políticas

públicas que envolvam oportunidades de qualificação e o pagamento de

melhores remunerações. O crescimento do estado de Mato Grosso precisa

chegar a todos, em especial aqueles que precisam de educação, qualificação,

trabalho e renda digna.



Caiubi Kuhn, Geólogo, Doutor cotutela em Geociência e Meio Ambiente

(UNESP) e Environmental Sciences (Universidade de Tubingen), Professor da

Faculdade de Engenharia da UFMT, Presidente da Federação Brasileira de

Geólogos (FEBRAGEO).

 
 
 

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